Porquê ninguém se importa com Luto


Com 14 anos eu perdi o meu pai. Esse mês, no dia 23, completa um ano que venho lidando com a perda do meu primeiro filho que nasceu prematuramente aos cinco meses e veio a falecer horas depois. No entanto, agora dia 01 de outubro minha mãe faleceu e o meu luto ganhou nova forma.
Nesse tempo eu acabei percebendo uma particularidade no luto que eu não imaginava existir e que tem me incomodado e machucado mais do que você, caro leitor, possa imaginar.
 O luto não tem tempo correto para terminar para aqueles que o sentem, mas para quem está observando tem.
Hoje em dia com tanta tecnologia e com a maioria das sociedades vivendo na era do imediato um luto longo é perturbador. É exigido que a felicidade volte ao rosto daqueles que sofrem, é necessário que todos estejam bem para que possamos seguir.
O luto, a real importância desse sentimento e do tempo que dedicamos ao pesar da perda de alguém querido ou a ciclos, não é importante.
E não é dedicado crédito a esse sentimento por uma real preocupação com aquela pessoa, mas porque somos capaz de ver nela um reflexo de nos mesmos. As pessoas nos influenciam o tempo todo e ver alguém triste nos torna tristes.

"— O luto é um processo que resulta de uma perda significativa para a nossa vida, e se refere a um investimento afetivo que não tem mais quem o receba. Não se trata de um obstáculo a ser vencido o mais rápido possível. Se não vivermos o luto até o fim, a gente não elabora, e impede que o processo se encerre — diz Bianca Dantas, psicanalista de saúde mental do Centro de Atenção Psicossocial Franco Basaglia, em Botafogo." 

Amigos podem nos impedir de viver o luto, as regras de convívio social e trabalhistas, a família, o tempo dedicado a tarefas, a rotina... De uma maneira geral, parece que o lugar do luto se perdeu. Às vezes nem a oportunidade de se ressignificar o luto é possível.

É preciso ajuda e dificilmente se tem. Apenas julgamentos e pedidos para que se siga com a vida.

Como posso me importar e ajudar alguém enlutado?

  • O primeiro passo é não menosprezar o sentimento: A pessoa está passando por um momento difícil e impedir que a pessoa chore, que diga o que está passando, que desabafe sobre a vida é a pior forma de tentar ajudar. Então para ajudar realmente seja empático e solidário. Escute, ofereça o silêncio, um abraço, uma visita...
  • Observe os sinais de depressão, ansiedade, luto patológico e ofereça o número de algum profissional conhecido e confiável para ajuda especializada.
  • Ajude-o a se expressar, se ele quiser. Muitas pessoas não gostam de falar como se sentem, mas gostam de desenhar, tocar um instrumento, escrever... 
  • Rituais para luto: Tem gente que distribui flores, soltam balões, doa sangue em nome do falecido, fazem tatuagem, escrevem cartas... enfim, tentam ressignificar esse momento. Se você puder ajude-o a preparar esses rituais.

Falando em rituais o livro Com amor, Clara retrata de maneira brilhante como a personagem principal deu uma ressignificação ao seu luto ao escrever cartas para a mãe falecida enquanto vivia uma nova vida agora tendo que lidar com o luto.


Ninguém havia me dito que o luto se parecia com o medo.
Eu não estou com medo, mas é como se estivesse.
A mesma agitação no estômago, a mesma inquietação, o bocejo.
Estou sempre engolindo.
C.S Lewis -  A anatomia de uma dor

É muito importante que passemos a reconhecer a importância do luto, de suas fases, suas ressignificações e o quanto é um sentimento válido diante das dores que a vida atrás. Às vezes dores e saudades de magnitude infinita...






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