Carta para Dante - Te amo!


Para os meus leitores e visitantes que não sabem, eu tive o meu filho aos cinco meses de gravidez, dias após o rompimento da bolsa.

O bebê mais que esperado veio ao mundo e duas horas depois acabou não resistindo. 

Por isso, hoje dias após o ocorrido e dia dos finados decidi escrever uma cartinha para ele.  É a maneira que sei me expressar e utilizarei algumas vezes aqui no blog para amenizar a dor e a saudade.




Oi, meu amor!
Sei que demorei um pouco para vir aqui e “conversar”. Eu não estava preparada, na verdade, eu estou fugindo da realidade de não ter você mais dentro de mim esperando a data prevista para nascer.
É horrível acordar e ver que minha mão está na barriga que deveria estar te abrigando, mas que você apressadinho não está por lá, ou ainda quando seu pai distraidamente faz primeiro um carinho em você para depois fazer em mim. Rola aquele sorriso sem graça por você não estar mais aqui e a gente tenta em vão não falar do assunto.
A mente fica fervilhando de lembranças de você.
Eu sinto sua falta em cada minuto do dia e isso é normal por ser recente, por durante cinco meses estarmos tão conectados e é ainda mais compreensível por nos sete dias, entre o rompimento da bolsa e eu te dar à luz, sermos só nos dois.
Só nossa fé, nossa luta, seus movimentos dentro da barriga, minha mão por cima tentando acompanhar. A procura dos seus batimentos cardíacos que quando encontrados paravam os meus de pura felicidade.
Que luta, filho! Que luta!
Eu agradeci e pedi muitas coisas. Agradeci por cada vez que ouvimos seu coração, por você ser meu pequeno, quando te vi naquela primeira, e quase única, vez eu pedi para que você não sofresse, para que você pudesse nascer, para que você fosse um milagre, para que não doesse.
E, basicamente, você foi tudo isso. Contrariou as expectativas de muitos.
Você não foi expelido, não nasceu morto, não ficou partes suas dentro de mim como eu ouvi falarem que seria.
Você nasceu e iluminou o meu dia, a minha vida, naqueles segundos em que te limpavam e não me davam esperanças, eu reparava no seu enorme pezinho mexendo, nos seus gestos, em sua luta.
Eu não chorei, você não chorou.
A gente se sentiu e foi mágico.
Eu me tornei mãe com aquele resultado de farmácia no banheiro, em que eu surtei e com medo de ser péssima neguei que estivesse grávida.
Mas eu me tornei amor com o passar do tempo ao aceitar a gravidez, depois aceitando que seria mãe de menino e não da Duda. No entanto, eu me tornei algo muito maior e sem palavra para definir com o seu nascimento, com aquele nosso encontro.
Consigo lembrar de tudo em câmera lenta de tão especial que foi. Você lutou para nascer vivo, para nos encontrarmos para eu ser sua mãe.
Pouco tempo após, tenho hemorragia, a placenta não sai e me colocam para dormir para fazerem a curetagem. Eu lutei para não morrer por você e me sedaram, quando acordei você não estava mais entre nós.
Você partiu e grande parte de mim foi junto.
Coexistimos em tempos diferentes, lutamos por coisas diferentes, estivemos ligados e ao mesmo tempo desajustados.
O destino quis assim.
Na primeira ultra que tiramos você fez o sinal de positivo 👍 com as mãos, então eu sei que vai ficar bem.  Que você estará bem e é só essas coisas que importam para mim:
Que você esteja bem e que tenhamos sido bons pais para você.
No fundo do meu coração eu sei que você está bem e que você nos amou muito!
Te amo além dessa vida <3



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