Luto Perinatal - 30 dias da perda do meu bebê

Olá,
Hoje faz um mês. Um mês que meu mundo mundo, que meus planos foram cancelados, que vivi o meu maior sonho e o meu pior pesadelo no mesmo dia.
Antes de relatar como tenho lidado com esse luto eu preciso explicar um pouco da minha dor:


No dia 16 de outubro de 2018 minha bolsa rompeu quando fui ao banheiro, fui ao médico da cidade que estava e eles disseram que se fosse assim eu não teria condições nenhuma de ter o bebê lá.  Ele iria a óbito ( Não, eles não me disseram isso com essas palavras bonitas e calmas). Eu precisava fazer uma ultra já que no toque o meu colo estava fechado.
Tudo fechado, já um horário em que os ônibus não rodam mais, foi muito difícil, mas no dia seguinte fui bater a morfológica, que eu já ia bater as 22 semanas mas com o que aconteceu tive que adiantar e bater no dia 17 as 21 semanas. Na morfológica foi constatada a perda acentuada do líquido amniótico ( Com 5cm  geralmente induzem a mulher ao trabalho de parto e eu estava com 3 cm).
Fui ao Rio e na maternidade ao passar pela triagem a médica disse que iria me internar dizendo que: "iriam esperar eu entrar em trabalho de parto ou o coração do bebê parar de bater."
Assim foram os dias passando, sendo picada a todo momento já que minhas veias são horríveis de achar, não tinha modos e o acesso saia, tomando os antibióticos, bebendo muita água, indo ao banheiro o tempo inteiro. E muitos outros detalhes que infelizmente ainda me doem contar.
Na madrugada do dia 23 ao ir no banheiro sinto um baque nas partes baixas. Falo com a enfermeira, sou levada até o médico e o bebê estava no canal vaginal.
Para encurtar toda a história o meu Dante veio nascer as 12:22 e falecer as 14:10.  Eu ainda continuei 3 dias internada antes de ir par casa.
O bebê nasceu e faleceu um mês antes de eu e o pai dele fazermos 10 anos juntos. Um mês antes do chá de bebê que estávamos planejando junto com a festa pelo nosso casamento no Civil que tbm não aconteceu.


A dor:

É muito difícil aceitarmos a perda de um ou mais filhos. Primeiro: Por todos os planos que acabam sendo criados. Por todos os sonhos.
As pessoas a sua voltam ficam felizes e aquilo dá um gás enorme para sonhar até pelo segundo motivo:
Ninguém espera que um bebe inverta a ordem "natural" das coisas e venha a falecer antes dos pais. A gente cresce e nem passa muitas vezes na nossa cabeça essa realidade, a dimensão da realidade e o quanto isso acontece.
Terceiro: Ser mãe e pai é algo extremamente valorizado e crescemos com esse sonho.

Porém todo mundo esquece do principal: O amor envolvido.

A gente ama. Ama muito, ama desde a primeira imagem da ultra, com a gravidez com avançadas semanas, com o bebê tendo nascido vivo ou não o amor está ali e é um amor que, felizmente, só cresce.



O meu Luto:

Para mim, existem diversas maneiras de encarar o luto e a história que se tem com o bebê. Alguns preferem apagar a existência de significados, outros querem que a lembrança esteja visível 24 horas por dia e outros que preferem lidar com a saudade as vezes.

Eu sabia que eu seria essa ultima pessoa e isso é algo que me fez bem. Assim que sai do hospital eu passei numa loja de decoupagem e comprei uma caixa ( eu não havia comprado muitas coisas para o bebê). Comprei além da caixa de madeira um barquinho ( era um dos temas que eu pensava na hora de comprar roupa e objetos para ele) e letras para o nome dele.
Nessa caixa eu guardei tudo:
Os exames, as roupinhas, o livro de histórias com ursinho que comprei para ele, a vitamina, e algo bem bizarro que foi uma das minhas unhas (que voltaram a crescer bastante com a gravidez ( eu sei não faz sentido para muito, mas para mim faz e tudo bem))

Outra coisa que me ajuda é conversar com outras mães de anjo. Pq eu posso oferecer a minha ajuda também e quando bate o desespero conversar com elas e vice e versa.
Se você tem sonhos de tentar novamente, terá mães que também estão a faze-lo. Se você não quiser, tudo bem e elas vão entender pq passaram com isso.
Muitas pessoas, graças, não passam por isso mas vez com ajudas incompletas, não conseguem ser empáticas e acham que falar que "Vai ficar tudo bem", " Que Deus sabe", que aquilo vai tirar a sua dor imediatamente e que você irá seguir a vida esquecendo.
Não é bem assim, não funciona assim para todo mundo.
Então quando eu converso com outra mãe de anjo posso desabafar, entender a minha dor e lidar com o luto conversando.

E assim eu tenho seguido. Se me dá muita saudades eu abro minha caixinha com as coisas, olho tudo, choro se sentir que é isso que tenho que fazer.
Às vezes me bate o desespero.
Desespero mesmo e aí eu converso com Deus. ( Faça algo que te aproxime da sua religião ou o modo de desabafar. Se não tem religião um hobby ( escreve música, cartas, poesias? enfim se expresse! [ Eu fiz o primeiro post sobre a morte do Dantinho quando eu estava desesperada] )
Eu falo tudo o que eu queria ter feito e não fiz, falo sobre os meus planos e até pergunto 'o pq?'

Tem músicas que tem me ajudado também são elas:



E essa <3 :



Por agora tem sido isso. Muita dor, amor, saudades e aprendendo a viver com esse buraco em meu peito e minha vida.

Se você veio até aqui e esse post foi útil. Conte a sua história nos comentários, interaja e qualquer coisa você pode falar comigo até no WHATSAPP <3: 21 98080-9724

Tentarei ajudar da maneira que posso!

Dante - Do Amor Nasce Também Esperança



  • Luto perinatal;
  • Perda bolsa rota;
  • 22 semanas perda bebê;
  • Bolsa estourou;
  • Ajuda luto perinatal;
  • Historia luto perinatal;





Carta para Dante - Te amo!


Para os meus leitores e visitantes que não sabem, eu tive o meu filho aos cinco meses de gravidez, dias após o rompimento da bolsa.

O bebê mais que esperado veio ao mundo e duas horas depois acabou não resistindo. 

Por isso, hoje dias após o ocorrido e dia dos finados decidi escrever uma cartinha para ele.  É a maneira que sei me expressar e utilizarei algumas vezes aqui no blog para amenizar a dor e a saudade.




Oi, meu amor!
Sei que demorei um pouco para vir aqui e “conversar”. Eu não estava preparada, na verdade, eu estou fugindo da realidade de não ter você mais dentro de mim esperando a data prevista para nascer.
É horrível acordar e ver que minha mão está na barriga que deveria estar te abrigando, mas que você apressadinho não está por lá, ou ainda quando seu pai distraidamente faz primeiro um carinho em você para depois fazer em mim. Rola aquele sorriso sem graça por você não estar mais aqui e a gente tenta em vão não falar do assunto.
A mente fica fervilhando de lembranças de você.
Eu sinto sua falta em cada minuto do dia e isso é normal por ser recente, por durante cinco meses estarmos tão conectados e é ainda mais compreensível por nos sete dias, entre o rompimento da bolsa e eu te dar à luz, sermos só nos dois.
Só nossa fé, nossa luta, seus movimentos dentro da barriga, minha mão por cima tentando acompanhar. A procura dos seus batimentos cardíacos que quando encontrados paravam os meus de pura felicidade.
Que luta, filho! Que luta!
Eu agradeci e pedi muitas coisas. Agradeci por cada vez que ouvimos seu coração, por você ser meu pequeno, quando te vi naquela primeira, e quase única, vez eu pedi para que você não sofresse, para que você pudesse nascer, para que você fosse um milagre, para que não doesse.
E, basicamente, você foi tudo isso. Contrariou as expectativas de muitos.
Você não foi expelido, não nasceu morto, não ficou partes suas dentro de mim como eu ouvi falarem que seria.
Você nasceu e iluminou o meu dia, a minha vida, naqueles segundos em que te limpavam e não me davam esperanças, eu reparava no seu enorme pezinho mexendo, nos seus gestos, em sua luta.
Eu não chorei, você não chorou.
A gente se sentiu e foi mágico.
Eu me tornei mãe com aquele resultado de farmácia no banheiro, em que eu surtei e com medo de ser péssima neguei que estivesse grávida.
Mas eu me tornei amor com o passar do tempo ao aceitar a gravidez, depois aceitando que seria mãe de menino e não da Duda. No entanto, eu me tornei algo muito maior e sem palavra para definir com o seu nascimento, com aquele nosso encontro.
Consigo lembrar de tudo em câmera lenta de tão especial que foi. Você lutou para nascer vivo, para nos encontrarmos para eu ser sua mãe.
Pouco tempo após, tenho hemorragia, a placenta não sai e me colocam para dormir para fazerem a curetagem. Eu lutei para não morrer por você e me sedaram, quando acordei você não estava mais entre nós.
Você partiu e grande parte de mim foi junto.
Coexistimos em tempos diferentes, lutamos por coisas diferentes, estivemos ligados e ao mesmo tempo desajustados.
O destino quis assim.
Na primeira ultra que tiramos você fez o sinal de positivo 👍 com as mãos, então eu sei que vai ficar bem.  Que você estará bem e é só essas coisas que importam para mim:
Que você esteja bem e que tenhamos sido bons pais para você.
No fundo do meu coração eu sei que você está bem e que você nos amou muito!
Te amo além dessa vida <3



© Nome do seu Blog - 2016 | Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento por: Linezzer Design | Tecnologia do Blogger.
imagem-logo